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Em outubro do ano passado, mais de 500 membros de famílias empresárias de todo o mundo se reuniram em Amsterdã por alguns dias durante o 20ª Family Business Network International Global Summit para compartilhar, aprender e construir ideias juntos.
Uma das atividades mais bacanas foi a realização de um brainstorming conduzido pelo professor Randel Carlock, da faculdade de negócios de INSEAD, na França. Os participantes formaram grupos para focalizarem elementos específicos da gestão de crises, tais como comunicação, liderança autêntica, a próxima geração, governança, valores, estratégia e empreendedorismo.
Milhares de comentários e ideias fluíram em várias direções e foi o trabalho de 12 repórteres que conseguiu capturar as ideias e, em seguida, apresentar sua essência de volta para toda a comunidade de aprendizagem.
Era o momento perfeito para compartilhar ideias sobre crises e conflitos. O mundo ainda está sofrendo os efeitos da crise econômica, e as empresas familiares têm sido impactadas por poderosas mudanças. As famílias enfrentam novas ameaças a seus valores, mais estresse, menos segurança financeira, menos tempo para reagir e menos controle da situação. Crises fazem frequentemente indivíduos questionarem suas identidades pessoais, causando dor e insegurança. E a primeira regra sobre crises é que elas são sempre piores do que se poderia imaginar.
Mas uma mensagem clara saiu da sessão de brainstorming: empresas familiares não estão prestes a desistir de ter as qualidades que lhes serviram bem por muitos anos e que dão uma vantagem competitiva inerente. Elas confiam em seus valores, tais como o zêlo pela empresa e família, a longevidade e a confiança, para apoiá-las através destes tempos difíceis.
De fato, as atuais dificuldades econômicas são uma oportunidade para reforçar o que as empresas familiares fazem melhor. Famílias usam as crises para fazer seus alicerces de seu sucesso cada vez mais fortes.
Veja abaixo algumas das táticas, estratégias e comentários feitos durante o brainstorming com as famílias.
1-Envolva a próxima geração: Quando a realidade econômica força a empresa a reavaliar suas estratégias e a fazer mudanças, não há momento melhor para trazer a energia da próxima geração, de acordo com aquelas famílias interessadas em reduzir o distanciamento entre as gerações.
“Acelere a transferência de responsabilidade” foi um dos comentários. A próxima geração – em torno de 20 a 40 anos – irá viver no futuro então “deixe que ela assuma maior responsabilidade por definir suas próprias estratégias”. Eles estão prontos para ver a situação como ela é e vir com novas ideias.
Mas ao mesmo tempo, muitos dos participantes mais jovens da sessão do brainstorming sentiram que tinham muito a ganhar com a experiência da geração mais velha. Um comentário foi “Nós precisamos de vocês, mas não dizemos isso e vocês não escutam isso”. Assim, ao trazer da próxima geração, precisamos considerar suas necessidades de apoio não verbalizadas.
2-Comunique-se melhor: A crise sublinha a importância das estruturas de planejamento que facilitem a comunicação para que ela seja mais regular. Uma sugestão foi “usar como referência outras familias”, em termos de estruturas.
As famílias também conversaram sobre instigar uma mistura de reuniões formais e informais para garantir uma comunicação regular e intencional, envolvendo diferentes gerações em um conselho familiar que abasteça o conselho de administração com suas sugestões, ambições eimpressões.
A comunicação é facilitada quando as pessoas confiam umas nas outras, e a confiança é reforçada por experiências positivas compartilhadas. A fórmula bem sucedida para uma família se unir pode incluir retiros em família com visitas aos ativos da família, eventos sociais pagos por um fundo familiar e programas de formação e convívio especiais para os membros mais jovens da família.
As famílias também sugeriram que o melhor momento para criar estruturas é antes de crises, quando o sucesso é mais fácil e “quando o sol ainda está brilhando”. Mas nunca é tarde demais para tomar medidas que ajudem a superar a relutância psicológica para iniciar discussões sensíveis e conflituosas.
3-Reforçe resiliencia e auto-confiança: Durante uma crise, é fácil para os líderes serem pegos por uma armadilha de olharem para trás e se concentrarem no que deu errado em vez de olharem para frente. Isso pode destruir a auto-confiança daqueles que estão no meio da crise. Embora seja importante aprender com as lições do passado, as famílias também acreditam que é também “importante para os líderes confiar no que eles estão fazendo bem” e se concentrarem no que se precisa fazer agora e no futuro.
Os líderes bem sucedidos criam um sentido e um senso de propósito para nossas vidas e empresas. Para fazer isso, eles precisam relacionar os valores da empresa e família à novas situações encontradas. “Os valores são como uma rocha sólida que sobrevive às piores tempestades. Quando tudo está se movendo ao seu redor, os valores podem ser as únicas coisas estáveis”.
Para reforçar a confiança dos líderes em si mesmos, pode ser útil para eles conversar com outras pessoas que já passaram por essa pressão, mas que estão distantes o suficiente para serem independentes e neutras.
Com o apoio, os líderes podem passar por momentos de crise e testes de liderança e alcançar um maior autoconhecimento ao longo do caminho.
4-Foque na sua estratégia: Uma estratégia de negócios deve ser baseada em boa reflexão e visão de longo prazo, e, sobretudo no caso de empresas familiares, fidelidade aos valores. Enquanto os fundamentos da estratégia foram bons e estiverem funcionando, não deve haver a necessidade de se mudá-la, não importa o quão profunda seja a crise.
Entretanto, há sempre a possibilidade de o mundo ter mudado de tal forma que a estratégia tenha se tornado falha e precise de uma profunda revisão.
Outro comentário foi “Você tem que chegar a um entendimento comum e compartilhado de como vocês chegaram à crise e como vocês, como um grupo, sairão dessa. Então fale com todos na empresa e na família”.
5-Reveja sua exposição ao risco: Em geral, empreendedores tendem a serem otimistas, até mesmo um pouco ingênuos. Isso pode ser uma coisa muito boa, pois caso ao contrário nenhum iria tentar experimentar ideias radicais que só viriam em momentos de inspiração. Muitas vezes uma empresa tem uma “escada”, mas é preciso de um empresário para saber qual parede colocá-la contra.
Um líder de família disse: “Nossa família se orgulha de balancear propensão ao risco com pruidencia financeira”. A crise financeira pode significar mais prudencia, mas uma certa dose de risco continua sendo fundamental para o crescimento da empresa familiar.
Falou-se também sobre utilizar as personalidades e talentos da família e empresa como um instrumento, e combina-los com as oportunidades. Se as melhores oportunidades estão lá, faz sentido tirar proveito delas, não importando a situação econônica do momento.
O próximo Family Business Network International Global Summit ocorrerá em outubro em Chicago, nos EUA.
Campden FB - Maio/2010 |